
Entre julho e novembro, o mar em frente a Morro de São Paulo recebe visitantes de 40 toneladas: as baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae). Elas nadam cerca de 4.000 km desde a Antártida até as águas quentes da Bahia para acasalar, dar à luz e amamentar seus filhotes — e fazem isso saltando, batendo as nadadeiras e soprando borrifos que se veem a quilômetros.
Neste guia você encontra tudo o que precisa saber: quando vir, como é o passeio de observação saindo de Morro, quanto tempo dura a temporada e as regras que garantem que o espetáculo não vire incômodo para as baleias.
Quando ver baleias em Morro de São Paulo: a época certa
A temporada de baleias na Bahia segue o calendário da reprodução:
| Período | O que acontece | | --- | --- | | Julho | Chegada das primeiras jubartes vindas da Antártida | | Agosto e setembro | Pico da temporada — maior número de baleias e de saltos | | Outubro | Muitas mães nadando devagar com filhotes recém-nascidos | | Novembro | Despedida: os grupos começam a migração de volta ao sul |
Se puder escolher, agosto a outubro é o coração da temporada. É quando a chance de avistamento é maior e o comportamento é mais ativo: machos disputando fêmeas saltam mais, batem cauda e nadadeira na água e "cantam" — o famoso canto das jubartes, que pode durar horas.
Por que as jubartes escolhem a costa da Bahia
As jubartes do Atlântico Sul passam o verão se alimentando de krill nas águas geladas da Antártida. No inverno, migram para águas quentes, calmas e rasas — o ambiente ideal para os filhotes, que nascem sem a camada de gordura necessária para o frio.
O Banco dos Abrolhos, no sul da Bahia, é o principal berçário da espécie em todo o Atlântico Sul. Mas a rota de migração percorre a costa baiana inteira — e passa em frente ao arquipélago de Tinharé, onde fica Morro de São Paulo. Por isso, na temporada, é comum avistar borrifos e saltos sem precisar viajar até Abrolhos: as baleias estão passando aqui na nossa porta.
De quase extintas a mais de 25 mil: a maior história de recuperação do nosso mar
Nem sempre foi assim. A caça comercial quase eliminou as jubartes do Brasil: quando a atividade foi proibida no país, em 1986, restavam cerca de 2 mil animais na costa brasileira.
Quatro décadas de proteção — garantida pela Lei Federal 7.643/87, que proíbe a caça e a perseguição de cetáceos em águas brasileiras — mudaram essa história. O censo aéreo do Instituto Baleia Jubarte estimou cerca de 25 mil jubartes na costa brasileira em 2022, e estimativas mais recentes já apontam mais de 30 mil — um número próximo ao de antes da caça industrial. É considerado um dos maiores casos de recuperação de uma espécie ameaçada no mundo.
Ver uma jubarte saltar hoje, portanto, é presenciar um final feliz raro na conservação marinha — e o turismo de observação responsável é parte dessa história, porque transforma baleia viva em valor para as comunidades do litoral.
Como é o passeio de observação saindo de Morro de São Paulo
O passeio de observação de baleias jubarte sai de Morro de São Paulo em lancha rápida rumo à face oceânica do arquipélago de Tinharé, onde as baleias costumam cruzar.
O que esperar do passeio:
- Duração: em média 2 a 3 horas de navegação, com paradas sempre que há avistamento;
- Comportamentos que você pode ver: borrifos (o "respiro" da baleia), dorso e cauda na hora do mergulho, batidas de nadadeira e — o prêmio máximo — o salto completo (breaching), quando um animal de 35 a 40 toneladas sai inteiro da água;
- Mães com filhotes: no fim da temporada, é comum ver duplas nadando devagar perto da superfície, com o filhote imitando os movimentos da mãe;
- Condução responsável: a aproximação segue as regras do IBAMA (detalhadas abaixo), com motor reduzido e distância respeitosa.
Importante ser honesto: baleia é animal selvagem, não tem hora marcada. Nenhuma operação séria "garante" avistamento — o que existe é temporada certa, rota certa e condutores experientes que sabem ler o mar. No pico da temporada, a taxa de sucesso é alta.
Observação responsável: as regras que protegem as baleias
A observação de baleias no Brasil é regulamentada pela Portaria IBAMA nº 117/1996, e as embarcações de turismo devem segui-la à risca:
- Distância mínima de 100 metros da baleia (motor desligado ou em neutro se elas se aproximarem por conta própria — o que acontece, porque jubarte é curiosa);
- Velocidade reduzida e aproximação gradual, nunca por trás ou cortando a rota do animal;
- Permanência máxima de 30 minutos junto ao mesmo grupo;
- É proibido cercar, perseguir ou separar grupos — especialmente mãe e filhote.
Essas regras existem porque o estresse repetido afasta as baleias das áreas de descanso. Respeitá-las é o que garante que elas continuem voltando todos os anos.
Dicas práticas para o seu passeio de observação
- Vá de manhã: o mar costuma estar mais calmo e a luz é melhor para fotos;
- Propenso a enjoo? Tome o remédio de enjoo 30 a 60 minutos antes de embarcar, coma leve e olhe para o horizonte durante a navegação;
- Leve: protetor solar, boné, óculos escuros com cordinha, uma blusa corta-vento (venta em alto-mar) e água;
- Fotografia: use o zoom e muita paciência — e não passe o passeio inteiro olhando pela tela. O salto de uma jubarte merece ser visto ao vivo;
- Crianças são bem-vindas: o passeio é familiar; a emoção de ver uma baleia de verdade vale por mil desenhos animados.
Perguntas frequentes
Qual o melhor mês para ver baleias em Morro de São Paulo?
De agosto a outubro. Julho marca a chegada e novembro a despedida; setembro costuma concentrar muitos avistamentos com mar bom.
Precisa ir até Abrolhos para ver jubartes?
Não. Abrolhos é o berçário principal, mas a rota migratória passa em frente ao arquipélago de Tinharé. Na temporada, os avistamentos acontecem a poucos quilômetros de Morro de São Paulo.
O avistamento é garantido?
Não — e desconfie de quem garantir. O que garantimos é sair na época certa, na rota certa, com condutores que conhecem o mar da região e seguem as regras de aproximação do IBAMA.
O passeio é seguro para crianças e idosos?
Sim. A lancha tem coletes para todas as idades e a navegação é feita em ritmo de observação. Quem enjoa com facilidade deve apenas se prevenir com antiemético antes de embarcar.
Quanto custa e como reservar?
Os valores e a agenda da temporada estão na página do passeio de Observação de Baleias Jubarte. A reserva é feita on-line com sinal — ou direto pelo nosso WhatsApp, onde nossa equipe monta o roteiro com você.
Planejando a viagem completa? Veja também o Guia definitivo do passeio Volta à Ilha — na temporada, não é raro avistar borrifos no caminho entre uma piscina natural e outra.
Fontes: Instituto Baleia Jubarte (censos populacionais), Lei Federal 7.643/87 e Portaria IBAMA 117/1996. Foto de capa: NOAA, domínio público, via Wikimedia Commons.
